quinta-feira, 10 de maio de 2012

A NOVENA DA MÃE, RAINHA E VENCEDORA RÊS VEZES ADMIRÁVEL DE SCHOENSTATT

ORAÇÃO PREPARATÓRIA PARA CADA DIA 

Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt! Com ilimitada confiança, me aproximo de ti, para receber o teu auxílio em minha grande aflição; pois teu Divino Filho, na cruz me deu a ti como minha mãe, dirigindo também a mim as palavras: "Eis aí tua Mãe!" E a ti disse Ele: "Eis aí teu filho!" Que consolo para mim, receber-te por Mãe! Por isso dirijo-me a ti em meu grande sofrimento.
Bem conheces a minha pesada cruz. Peço-te, confiante, que me ajudes, ó grande Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoestatt, pois nunca se ouviu dizer que tenhas abandonado algum filho teu que buscou refúgio em ti. Tu mesma sentiste o peso e a aflição da vida! Estiveste ao pé da cruz, como a Mãe das Dores. E será que agora não vais atender o meu pedido, quando te confio, suplicante, o meu sofrimento? Não, jamais! Tu és a Saúde dos Enfermos, a Consoladora dos Aflitos, o Auxílio dos Cristãos. Inspira-me, porém   confiança especial o fato de seres chamada "Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável". Este honroso título expressa que sempre em toda a parte és admirável. Intercede, pois, junto ao querido Filho, para que me atenda. E, eternamente, quero cantar o teu Magnificat, bendizendo as misericórdias do Senhor. Amém.

PRIMEIRO DIA
Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, Tu, que trilhaste os caminhos da fé e sempre te curvaste aos desejos e à vontade de Deus, ajuda-me a descobrir, através da minha cruz, do meu sofrimento, o amor paternal de Deus. Intercede por mim, em minha grande aflição e alcança-me esta graça, se assim corresponder aos planos de Deus.
Amém.

SEGUNDO DIA
  Querida Mãe, Rainha, Vencedora, Três Vezes Admirável de Schoenstatt, pequena serva de Nazaré! Implora-me a graça de, em meu sofrimento, dizer que um singelo "sim", humilde e resignado à vontade de Deus.
Ensina-me a curvar-me à sua mão, lembrando-me da palavra: "Quem confia em Deus, constrói sobre um solo firme e quem Nele se apóia jamais perece". 
Amém.

TERCEIRO DIA
 Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes  Admirável de Schoenstatt!
"Confio em teu poder, em tua bondade; em ti confio com filialidade, Confio, cego, em toda a situação, Mãe, no teu Filho e em Tua proteção".

QUARTO DIA
  Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes  Admirável de Schoenstatt! Outrora cantaste o teu  Magnificat, porque o Senhor Te escolheu por Mãe e assim, te tornaste a serva de todos os homens. Imploro, te peço, a graça de eu também servir  sempre ao meu próximo e suportar, alegremente, o meu sofrimento até que Deus me atenda por Tuas poderosas intercessão, ó querida Mãe e Rainha!

QUINTO DIA
  Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Imersa no sofrimento, procuraste o teu Filho e o reencontraste. Expressaste toda a tua aflição nas palavras: "Filho, porque procedeste assim conosco?". Hoje querida Mãe, quero entregar-te todas as minhas aflições, com o insistente pedido: intercede por mim junto de Deus. Porém, faça-se em tudo a vontade do Pai! 
Amém.

SEXTO DIA
   Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Implora-me a virtude da confiança em Deus e a graça de considerar sempre a Sua santa vontade como o mais alto bem. Confio inteiramente em ti e peço insistentemente, que não me abandones, mas intercedas o auxílio de Deus em minha aflição. 
Amém.

SÉTIMO DIA
    Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Junta as mãos e pede por mim com tanta insistência como fizeste em Caná: "Senhor, eles não têm mais vinho!". Apresenta minhas grandes preocupações ao Senhor. E estou certo de que serei atendido. Ele há de libertar-me de minha aflição ou dar-me-á a força de suportá-la corajosamente.
Amém.

OITAVO DIA
   Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt. Nas bodas de Caná livraste os noivos de um embaraço. E agora te peço: compadece-te também de mim e não cesses de pedir ao teu Filho em minhas necessidades. Confio em ti, ó Onipotência Suplicante, Mãe do Senhor.
Amém.
NONO DIA
    Querida Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, implora para mim a graça da  conversão. Ajuda-me a observar fielmente os mandamentos de Deus e cumprir a sua vontade. Que minha vida não seja obstáculo para o atendimento dos meus pedidos, para os prodígios que tu queres alcançar-me, ó  bondosa, ó clemente, ó doce Virgem Maria.
Amém.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Santuário Schoenstatt Tabor da Liberdade

 Santuário Schoenstatt Tabor da Liberdade




Situado em Confins a 30 km de Belo Horizonte,  o  Santuário  Schoenstatt  Tabor da Liberdade é um lugar privilegiado de graça  e  encontro, um  ponto  de referência para a reconquista do vínculo com Deus e com o próximo. 
Anunciar a Mãe de Deus, a Mãe e Rainha três vezes admirável de Shoenstatt, como companheira e colaboradora permanente de Cristo na obra da redenção e como educadora dos povos é a premissa desse Santuário.
HISTÓRIA

A primeira imagem peregrina da Mãe Rainha chegou à Arquidiocese de Belo Horizonte no final dos anos 80. Em 1990, iniciou-se a Campanha da Mãe Peregrina, como um serviço pastoral nas paróquias. Em maio de 2003, foi inaugurado o Santuário Schoenstatt Tabor da Liberdade com uma celebração que reuniu milhares de peregrinos.
FUNCIONAMENTO

O Santuário é aberto para visitas todos os dias de 8 às 18h
Atendimento da secretaria: 8h às 18h
Loja de artigos religiosos e livraria: 8h às 17h
Cantina: 8h às 17h
FESTIVIDADES

- Dia da fundação do Santuário - 18 de outubro: centenas de fieis paraticipam das que reúnem milhares de pessoas. O Santuário oferece infraestrutura com barraquinhas de comidas típicas, estacionamento, posto médico e segurança.
A cada ano é proposto um tema diferente para as festividades. Em 2009, com tema Festa das Rosas, cada peregrino levou uma rosa para oferecer à Mãe Rainha, como prova de amor.
- Festa de maio: no dia 18 de maio é celebrado o aniversário do Santuário.

PRINCIPAL MOMENTO DE VISITAÇÃO

- Dia da Aliança de Amor: missa da Mãe Rainha, dia 18 de cada mês, às 15h.
CELEBRAÇÕES

Sexta-feira e domingo:
15h
Dia 18 de cada mês: 15h

SERVIÇOS

- Creche Comunitária Semente de Vida: atendimento gratuito para 22 crianças da região de Confins.
-
Loja de artigos religiosos
- Livraria

- Cantina


RESPONSÁVEL

Irmã Doralice Maria de Souza

ENDEREÇO E CONTATO
Rua Nazires Queiroz Lara, 230 - Centro
CEP 33.500-000 - Confins/MG
Telefone: (31) 3686-0245


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Pe. José Kentenich


Pe. José Kentenich

Deus chama à vida um profeta de Maria
Pe. José Kentenich
Em 18 de novembro de 1885, em Gymnich, perto de Colônia, na Alemanha, nasce o Servo de Deus, Padre José Kentenich, Fundador da Obra Internacional de Schoenstatt.

Desde antes de seu nascimento, sua mãe o consagra a Maria. Aos nove anos de idade ele faz a sua consagração pessoal, colocando-se inteiramente ao dispor de Nossa Senhora.
Ainda adolescente, sente o chamado à vida sacerdotal. Em 8 de julho de 1910 é ordenado. Sente-se impelido a anunciar Deus como Pai atuante e presente na vida de cada ser humano. Ajudar o homem, por meio de uma autêntica devoção mariana a restaurar sua dignidade e conquistar sempre mais sua liberdade, como filho de Deus resgatado por um alto preço.

Como jovem sacerdote atua como professor e diretor espiritual no Seminário dos Padres Pallottinos, em Schoenstatt. Sua pedagogia gera uma confiança extraordinária que une os alunos e os conduz organicamente ao mundo sobrenatural. Indica-lhes constantemente a Maria, como modelo do verdadeiro relacionamento com Deus e da dedicação ao próximo.

Atento aos sinais de Deus
Uma das características principais do Pe. Kentenich é conservar sempre "a mão no pulso do tempo e o ouvido no coração de Deus". Seguindo os sinais indicados pela Divina Providência, em 18 de outubro de 1914, em meio a I Guerra Mundial, com seus alunos, sela a Aliança de Amor com Maria, suplicando-lhe que torne a pequena Capelinha do seminário, um Santuário de Graças e um centro de renovação religioso e moral para a Alemanha e o mundo.
Alguns desses alunos são chamados como soldados para a guerra e oferecem a própria vida a Deus, em holocausto pela frutuosidade da Obra que iniciaram com o Pe. José Kentenich. Após a guerra muitas pessoas chegam a Schoenstatt atraídas pela espiritualidade que conheceram nos campos de batalha. A Obra se expande além dos muros do seminário em grupos de famílias, sacerdotes, Irmãs, homens, mulheres e jovens.
No decorrer da segunda guerra mundial a Obra é perseguida pelos nazistas. Pe. Kentenich é preso e detido por mais de três anos no Campo de Concentração de Dachau. Nesse local, em meio a grande perigo de vida, continua a edificar sua Fundação por meio de conferências e correspondências irregulares. Sob a proteção da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt, nesse "inferno de Dachau", realiza a Fundação de dois Institutos Seculares: dos Irmãos de Maria de Schoenstatt e das Famílias de Schoenstatt. É liberado do Campo de Concentração em 1945, e logo inicia as viagens mundiais, aos países onde sua Obra estava se edificando. Por dez vezes visitou o Brasil.
Pe. Kentenich é recebido
pelo Papa Paulo VI
Inquebrantável e fiel amor à Igreja
Por determinação eclesiástica, permanece afastado de sua Fundação de 1951 a 1965. Em obediência à Igreja, aceita seu exílio como uma forma especial de imitação a Jesus. Jamais diz algo negativo contra a hierarquia eclesiástica, que ainda não compreende seu modo de pensar e seu método pedagógico.
Amadurecido pela cruz, torna-se pai para muitos. Anuncia e vive a confiança heróica no poder de Maria e no amor misericordioso de Deus Pai. Sua vida é um serviço à Igreja que tanto amou.
No encerramento do Concílio Vaticano II, Padre Kentenich é recebido em audiência pelo Papa Paulo VI. O Papa manifesta a ele e a Obra por ele fundada seu reconhecimento. Pe. Kentenich coloca, mais uma vez, sua Fundação inteiramente ao dispor da Igreja e continua servindo-a de modo humilde, obediente e fiel.

Retorno à casa do Pai
Em 15 de setembro de 1968, festa de Nossa Senhora das Dores, logo após celebrar a Santa Missa, na Igreja da Santíssima Trindade, no Monte Schoenstatt, devolve sua vida a Deus. Falece em fama de santidade.
O processo pela sua canonização inicia-se no dia 10 de fevereiro de 1975 e são milhares os que a ele recorrem alcançando auxílio em suas necessidades.
A seu respeito, o Papa João Paulo II diz à Família de Schoenstatt, na celebração do centenário do Fundador:
"Uma sincera devoção a Maria faz crescer um frutífero amor à Igreja. A vida de vosso Fundador é testemunha desta verdade". (20.9.1985)
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Referências Bibliográficas:
· Schoenstatt. Irmãs de Maria de, Novena da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, 2001, 99º ed., Berto Artes Gráficas
· http://www.maeperegrina.com.br/

DOCUMENTO DA PRÉ-FUNDAÇÃO

Conferência do Pe. José Kentenich, ao se apresentar como diretor espiritual dos seminaristas, em Schoenstatt, em 27 de outubro de 1912. Nela, ele apresenta o programa de sua pedagogia, que vai desenvolver na Obra de Schoenstatt.

DOCUMENTO DA PRÉ-FUNDAÇÃO (1)

PROGRAMA

Hoje quero apenas apresentar-me. — Esta resposta do candidato Yobs provocou uma sacudida geral de cabeças. Este verso profundo e muito poético duma célebre epopeia (2), pode ser interpretado de outro modo e, naturalmente, conforme a essência da interpretação, pode tornar-se ainda mais rico em conteúdo espiritual. Poderia ser, por exemplo: A notícia da nomeação do novo espiritual provocou retesamento geral de pescoços. A nomeação do novo espiritual... A expressão «do novo espiritual» está no caso genitivo objetivo e refere-se à escolha do novo espiritual. Com isto devo dizer que cumpri também o desejo de Theile (3). Ele me sugeriu que hoje falasse algo sobre o genitivo. Então, Theile, estás satisfeito ou queres saber mais ainda?
Mas deixemos de lado a brincadeira. Estou bem consciente de que a interpretação do verso reflete claramente a vossa disposição, a vossa atitude contrária à minha nomea-ção. Estais admirados e desiludidos. Por isso os pescoços ficaram esticados. Mas deve ser perigoso quando se deixa por muito tempo o pescoço esticado. Pode-se até ficar com a nuca enrijecida. Foi por este motivo que tratei de pôr logo minha cabeça e o pescoço em posição normal, e me conformei com o inevitável. Talvez... E com esta finalidade hoje quero prestar-vos conta sobre:
nossas relações até o momento presente nossas relações futuras.
Como foram as nossas relações até o dia de hoje? Di-lo-ei com breves palavras: não mantínhamos nenhum contato entre nós mutuamente. Passamos um ao lado do outro sem nos chocar ou bombardear com olhares furiosos. Até aqui não houve nada demais. Por isso não soará de modo desagradável e indiferente se vos revelar que, por princípio, evitei travar relações mais estreitas convosco. No ano passado, quando cheguei em Ehrenbreitstein, o Revmo. Pe. Reitor solicitou-me atender as vossas confissões. Opus-me com todas as veras, conseguindo finalmente que me deixassem em paz.
(1) A prática começa com introdução na qual o Pe. Kentenich, ora gracejando ora falando sério, faz alusão à surpresa e ao desconcerto produzido por sua nomeação como Diretor Espiritual
(2) Poema épico conhecido pelos jovens, que o Pe. Kentenich aplica humoristicamente para captar seus interesses.
(3) Theile era aluno da 4a série que encontrava dificuldades no estudo dos casos da gramática latina. Esta pequena observação caracteriza o método do Pe. Espiritual que procura captar o mais depressa possível todos os pontos de contato dos alunos, para criar mentalidade comum. Durante algum tempo, Theile e seus colegas de classe foram os únicos que venceram a timidez de falar em público e participaram ativamente das discussões.
(4) Termo popular para designar as pessoas que após muito tempo, confessam-se por ocasião da Páscoa da Ressurreição.

Qual o motivo que me levou a esta atitude? Não pretendia manter nenhuma relação convosco, para dedicar todas as minhas forças e o tempo que me sobrasse às pessoas do mundo, especialmente aos velhos pecadores endurecidos. Queria caçar os assim chamados cordeiros pascais (4). Minha maior alegria sacerdotal consistia em acolher os pecadores que se achegavam sobrecarregados com velha carga de pecados ajuntados durante muitos anos, de maneira que o confessionário viesse a estourar.
Com certeza, agora compreendeis o meu modo de agir. Não me esquivei por desprezo ou porque ignorasse as emoções e necessidades da alma juvenil, ou porque fosse da opinião que entre estudantes não possa haver abalos espirituais profundos. Naturalmente, se antes tivesse sido advertido: «este ou aquele está passando por uma crise interior», ter-me-ia dedicado a ele com muito gosto. Porém, tais coisas não são reveladas com antecedência. Por isso simplifiquei o caso, não me incomodando com nada absolutamente.
Apesar de tudo recebo a nomeação para ser Diretor Espiritual, mesmo sem ter contribuído em nada para que isto se realizasse. Portanto, há de ser vontade de Deus. Acedo de bom grado, firmemente decidido a cumprir do modo mais perfeito os meus deveres em relação a todos e a cada um em particular. Estou inteiramente à vossa disposição com tudo o que sou e tenho: com meus conhecimentos e capacidades e com minhas limitações; mas, sobretudo vos pertence o meu coração. Na realização de minha ideia predileta aplicarei somente o tempo que me sobrar.
Espero que nos compreendamos bem, envidando todos os esforços para alcançar nosso objetivo do modo mais perfeito possível.
Qual será, pois, o nosso objetivo? A pergunta é importante, porque da resposta dependerão nossas relações futuras. Vou dizê-lo de modo claro e conciso:

Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos, para sermos sólidos e livres caracteres sacerdotais.

O esclarecimento e a realização deste princípio fundamental irão ocupar-nos durante todo o ano. Hoje darei apenas breve explicação.

Queremos aprender. Não somente vós, eu também. Aprenderemos uns dos outros, pois nossa aprendizagem nunca há de cessar, principalmente em se tratando da arte da autoeducação, que é obra de toda a nossa vida.
Queremos aprender não somente em teoria, dizendo que isto deveria ser feito assim; agora está bom ficou bonito, etc. Tal sistema teria pouco valor para nós. Precisamos aprender também de modo prático, pondo mãos à obra todos os dias e em todas as horas. Como e que aprendemos a andar? Estais lembrados do modo como principiastes a caminhar? Ou ao menos, como vossos irmãozinhos o aprenderam? A mãe ter-vos-á proferido grandes discursos, insistindo: Tom Mariazinha, olhem, é assim que vocês  devem fazer! Se nossa mãe, tivesse procedido desta maneira ninguém de nós saberia andar. Porém, tudo se deu de modo mais simples, ela nos tomou pela mão e começamos a caminhar. Andar, aprende-se andando; amar, amando. Da mesma forma devemos aprender a educar-nos através de constantes exercícios de autoeducação. Ocasião para isso, certamente não nos falta.

Queremos aprender a educar a nós mesmos. É atividade nobre e régia. Atualmente a autoeducação ocupa o centro dos interesses nos círculos mais cultos. Ela e imperativo da religião, imperativo da juventude, imperativo do tempo. Não entrarei em pormenores respeito a estes pensamentos, tocarei apenas de leve no último.

A autoeducação é imperativo do tempo.
Não é necessário conhecimento extraordinário do mundo e dos homens, para ver que nosso tempo com todo o seu progresso e suas múltiplas descobertas, não consegue livrar o homem do vazio interior.
Toda a atenção e atividade têm por objeto exclusivamente o macrocosmo, o grande mundo - o mundo fora de nós - Realmente, não cessaremos de admirar o gênio humano que dominou as poderosas energias da natureza e as colocou a seu serviço. Ele vence todas as distâncias, sonda as profundezas do mar, perfura as cadeias de montanhas e voa pelas alturas do espaço sideral. A tendência de pesquisar e conquistar impulsiona sempre mais para frente. Descobrimos o Polo Norte, penetramos os continentes desconhecidos, iluminamos nosso esqueleto com novos raios; o telescópio e o microscópio desvendam diariamente novos mundos.
Porém, apesar de tudo, há um mundo sempre antigo e sempre novo — o microcosmo — o mundo no pequeno, nosso próprio mundo interior permanece ignorado e desconhecido. Não há métodos, ou ao menos, novos métodos que possam iluminar a alma humana. «Todas as regiões espirituais são cultivadas; todas as faculdades, fortalecidas. Somente o que há de mais profundo e íntimo, o mais essencial na alma imortal, muitas vezes é terreno inculto». Tais são as queixas apresentadas pelos jornais. Por isso nossa época e assustadoramente pobre e vazia no campo dos valores internos.
Mais, há pouco tempo, um político italiano apontou como maior perigo do desenvolvimento atual, o fato de as raças semi-civilizadas apoderarem-se das técnicas da civilização moderna, sem que ao mesmo tempo lhes seja dada cultura espiritual e moral para fazerem bom uso destas conquistas.
Neste particular, prefiro inverter a questão e perguntar- Será que os povos mais desenvolvidos estão maduros e são capazes de utilizar devidamente os enormes progressos alcançados nos últimos tempos, nos mais diversos setores? Não é verdade, que nosso tempo está ainda mais escravizado às suas conquistas? Realmente. O domínio sobre os poderes e forças da natureza externa não andou paralelamente a sujeição das tendências mais elementares e instintivas aninhadas em nosso próprio peito. Essa divergência alarmante esse abismo imenso torna-se cada vez mais profundo. Colocar- nos-á diante do fantasma da questão social, diante da falência da sociedade, se omitirmos o empenho por sua reforma E em vez de dominarmos nossas conquistas tornarmo-nos suas vítimas, como também escravos de nossas paixões.
Não há alternativa! Ou avançamos ou retrocedemos.
Retrocedamos! Então teremos de remotar à Idade Média, arrancar os trilhos, cortar os fios do telégrafo, rejeitar a eletricidade, devolver o carvão às minas, fechar as universidades! Não. Jamais consentiremos em tal atitude! Isto não nos é permitido. Nunca haveremos de agir desta forma.
Por isso, avante! Avancemos nas pesquisas e conquistas de nosso mundo interior, através da autoeducação consciente. Quanto mais progresso exterior, tanto mais' aprofundamento interno. Este é o brado, a senha difundida por toda a parte, não somente no campo católico, mas também no setor inimigo. Também nós, de acordo com nossa formação, queremos incluir-nos nestas aspirações modernas.
No futuro não nos deixaremos suplantar por nossos conhecimentos, mas nós os dominaremos. Não haverá de acontecer que dominemos diversas línguas estrangeiras, impostas pelo programa escolar, e permaneçamos grandes ignorantes no conhecimento e compreensão da linguagem do coração. À medida que penetramos com visão profunda nas forças que atuam na natureza, temos igualmente de alcançar maior compreensão para enfrentar as energias elementares e os poderes demoníacos do nosso interior.

O grau de nosso progresso nas ciências tem de ser acompanhado de igual aprofundamento interior e crescimento espiritual. Do contrário, cavar-se-á em nossa alma imenso vazio, tremendo abismo que nos tornará imensamente infelizes. Por isso, autoeducação!
Assim o exigem nosso ideal e as aspirações de nosso coração; exige-o nossa sociedade, os que convivem conosco e especialmente aqueles com quem iremos realizar nossas atividades futuras. Como sacerdotes precisamos exercer influência profunda e eficaz em nosso ambiente. Haveremos de obtê-la não pelo fulgor de nossa sabedoria, mas pela força e riqueza interna de nossa personalidade.

Precisamos aprender a arte de educar-nos. Urge educar a nós mesmos e educar-nos com todas as nossas capacidades, Mais tarde veremos quais são estas faculdades e qual o objeto material de nossa autoeducação.
Temos de educar-nos caracteres firmes, sólidos. Há muito tempo depusemos os «sapatos de criança». Na infância, nossas disposições eram movidas por caprichos e disposições emocionais. Agora, porém, cumpre agir por princípios firmes, claramente reconhecidos. Tudo poderá vacilar em nós. Sobrevirão momentos de vacilação total. Em tais ocasiões os exercícios religiosos não mais nos auxiliarão. Uma coisa somente nos poderá valer: os nossos princípios. Urge sermos caracteres firmes.  

Devemos ser caracteres livres. Deus não quer escravos de galera, mas remadores voluntários. Arrastem-se os outros diante de seus superiores, para lamber-lhes os pés e mesmo agradecer quando forem pisados. Nós estamos bem conscientes de nossa dignidade e direitos. Acedemos à vontade de nossos superiores, não por medo ou coação, mas porque livremente o queremos, pois todo ato de submissão razoável nos torna interiormente livres e autônomos.

Queremos colocar nossa autoeducação sob a proteção de Maria. Assim nós o prometemos domingo(5). Importa agora pôr mãos à obra. Temos grande tarefa a realizar. Conforme os vossos estatutos, devemos cultivar a devoção a Maria, em comunidade. Já possuímos os símbolos externos: a magnífica bandeira e a medalha (6). Porém, ainda não chegamos à parte principal: a organização interna, a exemplo das Congregações Marianas conhecidas em diversos ginásios e universidades.
Tencionamos criar essa organização. Nós — não eu. Neste sentido não farei nada, absolutamente nada, sem vosso pleno consentimento. Não se trata dum trabalho para o momento, mas de organização que sirva para todas as gerações futuras. Vossos sucessores alimentar-se-ão de vosso zelo, de vosso conhecimento das almas, de vossa prudência. Estou convicto de que seremos aptos para realizar obra útil, se todos cooperarem.
Porém, a isto ainda, não chegamos. Em primeiro lugar temos de conhecer-nos e acostumar-nos a dialogar livremente conforme o grau de nossa cultura.
Com isto concluo minha exposição. Com certeza compreendestes o motivo por que permaneci tão reservado; conheceis também meus planos para o futuro. Iniciaremos e concluiremos juntos a grande obra. Sob a proteção de Maria, queremos aprender a educar-nos para sermos sólidos e livres caracteres sacerdotais. Queira o bom Deus dar-nos a sua bênção para a realização deste objetivo. Amém.

(5) 20 de outubro, festa da "Mater Puritatis" — Mãe da pureza.

(6) A bandeira mencionada — doação da senhorita Duchene, de Limburgo — foi mais tarde a bandeira da Congregação, diante da qual os congregados faziam o juramento de fidelidade: "Esta é a bandeira que eu escolhi, jamais a abandonarei; a ti,. Maria, o juro!" A medalha de Nossa Senhora entregue no dia 20 de outubro foi substituída na Congregação por outra menor, que num lado apresenta a imagem da Imaculada e no outro a de São Luís Gonzaga.